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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Exército tem de dar explicações

“Um caminhão do Exército Brasileiro carregado com animais silvestres, e com sete militares, tombou na tarde desta terça-feira (17/12) na Rodovia Estadual AC-40, nas proximidades da cidade de Rio Branco, capital do Acre. As causas do acidente ainda são desconhecidas.

Caminhão do Exército estava transportando animais silvestres
Foto: Felipe Falcão

De acordo com as primeiras informações, divulgadas pela imprensa local, o caminhão estava sendo conduzido pelo soldado N. L., de 24 anos, e segundo testemunhas, estaria em alta velocidade.”
– texto da matéria “Caminhão do Exército carregado com animais silvestres tomba na AC-40, próximo a Rio Branco”, publicada em 17 de dezembro e 2013 pelo site Campo Grande Notícias

Dois militares ficaram feridos.

“Em meio aos destroços, dentro de caixas de madeiras quebradas, foram encontrados vários animais, entre eles 01 cobra da espécie Jibóia, 01 Tatu, 01 Jabuti e 01 filhote de Macaco Prego.

Não bastasse o acidente, o jabuti foi deixado dessa forma pelos militares até ser recolhido
Foto: Felipe Falcão

Jiboia que estava com os militares
Foto: Felipe Falcão

Procurado pela equipe de reportagem, o comando do Exército na cidade de Rio Branco (AC) preferiu não se manifestar sobre o acidente, e nem sobre os animais silvestres que os militares estavam transportando.” – texto do Campo Grande Notícias

A postura do Exército em não dar informações sobre os animais leva a dois raciocínios: ou eles estão apurando os fatos para depois divulgar ou os bichos estavam ilegais com os militares.

Se o Exército não tinha autorização para manter esses animais em seu poder (ou para transportá-los), o que os militares iriam fazer com eles? Era caça? Era tráfico? Era para mantê-los como bichos de estimação em algum quartel ou residência?

Exército, por favor, explicações.

- Leia a matéria completa do Campo Grande Notícias

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

É depósito e é ponto de venda

O aumento da fiscalização das feiras por órgãos ambientais e pela polícia tem obrigado os traficantes de fauna a mudar sua estratégia de comércio no varejo. O risco de apreensões frequentes nos mercados populares de rua fez com que os próprios depósitos de animais passassem a realizar venda direta ao consumidor final. O bicho não fica mais exposto na feira, mas é oferecido verbalmente aos interessados. Para o presidente da ONG SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha, que desde 1989 atua no combate ao tráfico de animais, os depósitos já estão vendendo mais que as feiras.

“Após uma denúncia anônima, militares do Companhia de Meio Ambiente da Polícia Militar localizaram, neste domingo (20), em uma casa de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, nove pessoas que são suspeitas de tráfico e comércio ilegal de animais.

De acordo com a corporação, o imóvel, localizado na rua Olegário Maciel, no bairro São Benedito, era usado como ponto de venda todos os domingos. O preço dos animais, sendo sete curiós, um bico-de-veludo e um pinta silva, variava entre R$ 200 e R$ 400.”
– texto da matéria “Nove pessoas são detidas com pássaros silvestres em Santa Luzia”, publicada em 20 de outubro de 2013 pelo site do jornal O Tempo

Muitos animais estão sendo vendidos nos depósitos
Foto: Divulgação Cipoma

Há dois tipos de depósitos: os que recebem os animais das regiões de captura e apanha para enviá-los às áreas de consumo final e os depósitos que abastecem o varejo, instalados inclusive perto de feiras. Esse último tipo é o que estaria atuando como último elo na cadeia do comércio ilícito de fauna.

“O número de animais apreendidos vem diminuindo a cada ação de fiscalização em feiras. Uma das razões disso certamente são os depósitos próximos às feiras, de forma que os traficantes não precisam se expor à ação da fiscalização, uma vez que não precisam levar animais em quantidade para o local onde ocorre a negociação. A redução das apreensões em feiras não indica uma redução no tráfico de animais na Paraíba”, afirma o coordenador de fiscalização da Superintendência do Ibama no estado, Jaime Pereira da Costa.

O mesmo fenômeno é constatado pelo subcomandante da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (COPPA) da PM baiana, capitão Moisés Brandão Carvalho. “O infrator só vai buscar o animal após a venda”, afirma.

Esses depósitos nada mais são que residências onde, muitas vezes, o próprio traficante vive, fato que dificulta o trabalho de fiscalização. Segundo o cabo Jackson Douglas do Nascimento Silva, do Batalhão de Polícia Ambiental da Paraíba, ao serem flagrados com grande quantidade de animais os proprietários dos imóveis alegam que os criam como bichos de estimação, jamais para o comércio.

- Leia a matéria completa de O Tempo

terça-feira, 20 de agosto de 2013

BR-163 (MS): anta morre o motorista fica ferido. Rodovia precisa de atenção

“Ernano Torquatro, de 30 anos, ficou gravemente ferido após atropelar uma anta e capotar o Fiat Pálio, de Sonora, na rodovia BR-163 entre Sonora e Pedro Gomes na manhã deste domingo (18).

Anta envolvida no acidente
Foto: Sidney Assis

(...) A Polícia Rodoviária Federal (PRF) orienta os motoristas que dirigem a noite a ter atenção redobrada com animais silvestres na pista, principalmente na cabeceira de córregos, onde se concentra um número grande de capivara e anta.” – texto da matéria “Homem fica gravemente ferido após atropelar anta e capotar”, publicada em 18 de agosto de 2013 pelo site Idest (MS)

Será que no local havia algum tipo de sinalização sobre a possibilidade de animais silvestres atravessarem a pista?

Será que a rodovia tem alguma estrutura para evitar que animais silvestres atravessem a pista ou para permitir travessias seguras (passagens de fauna)?

Será que a Polícia Rodoviária Federal fornece essa orientação somente quando atende a imprensa?

Nesse trecho da BR-163, radares já foram instalados. Um dos objetivos desses equipamentos é inibir abusos de velocidade por parte dos motoristas para reduzir atropelamentos de animais silvestres.

"O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT/MS) está instalando mais um radar na BR-163, agora no quilometro 700, no entroncamento da rodovia com a MS-215, em Pedro Gomes. Para a completa operação dos equipamentos, o DNIT aguarda a aferição pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO)." - texto do post "Só radares ajudam a reduzir atropelamentos de animais?", publicado em 26 de junho de 2013 pelo Fauna News

Mais uma pergunta: será que os radares estão funcionando?

No trecho paranese da BR-163 algo já foi feito.

“Iniciado em 2009, o Programa de Proteção à Fauna e Flora da BR-163 mapeou os locais mais sujeitos ao atropelamento de animais ao longo dos trechos que estão recebendo a pavimentação. O trabalho identificou o deslocamento de espécies como tatus, cobras e onças, entre outros.

Sinalização no trecho paraense da BR-163
Foto: Ernesto de Souza

Para minimizar os riscos à fauna, foram implantadas medidas para impedir a travessia em locais impróprios. No trecho entre Guarantã do Norte e a divisa com o Pará, telas de arame impedem a passagem dos animais e, ao mesmo tempo, os conduzem a túneis escavados sob a via. No Pará, placas indicam ponto preferenciais de travessia de animais como capivaras, antas e tamanduás.” – texto publicado no site do programa Globo Rural em 24 de junho de 2012

- Leia a matéria completa do Idest
- Leia a matéria completa do Globo Rural
- Releia o post "Só radares ajudam a reduzir atropelamentos de animais?", publicado em 26 de junho de 2013 pelo Fauna News

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Nas estradas, todos perdem no conflito homem X animal

“Um acidente numa estrada vicinal entre os municípios de Tapurah e Sorriso, no norte de Mato Grosso, terminou de forma trágica. Ao tentar desviar de um animal, o veículo Ford Fiesta, placas JZA-7973, de Várzea Grande,  perdeu o controle e capotou varias vezes atingindo uma ponte até cair em córrego. No carro, Alício Paulo Rache, 39 anos, e seu filho,  10, morreram. O acidente aconteceu na tarde de sábado, dia 3.” – texto da matéria “Pai e Filho morrem em acidente após bater em animal silvestre”, publicada no site 24 Horas News em 5 de agosto de 2013

Duas pessoas e um animal silvestre morreram no acidente
Foto: Site 24 Horas News

Há não muito tempo, toda e qualquer estrada brasileira era construída sem levar em conta a fauna da região que cortaria. Quando muito, se faziam levantamentos de espécies. Mas não levavam em consideração se a nova via estaria cruzando a rota migratória, dividindo áreas de caça ou de procura de parceiros ou ainda se estaria em um local com vegetação atrativa para algum animal. Vários são os aspectos que devem ser considerados ao se planejar o traçado de uma estrada.

Mesmo que tudo isso seja levado em conta nos trabalhos exigidos durante o processo de licenciamento ambiental, é difícil evitar que animais silvestres se arrisquem em travessias. O resultado, na maioria das vezes, é negativo para a fauna, com lesões nos bichos e muitas mortes – o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas estima que 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados todos os anos nas estradas brasileiras.

Mas nem sempre são os animais que levam a pior. É o caso ocorrido no Mato Grosso.

Infelizmente, ações que podem reduzir os atropelamentos de animais e algumas mortes de motoristas e passageiros ainda deixam a desejar.

“Com a Resolução Conama nº 01, em 1986, toda construção de estrada com duas ou mais faixas de rolamento deve ser precedida de estudo de impacto ambiental para obter sua licença. Apesar da legislação existente, o atropelamento de fauna não tem sido tratado com o rigor que merece. “O licenciamento, tanto de rodovias em implantação quanto já operantes, ainda é frágil nas exigências de informações sobre esse tema. E isso ocorre tanto no tipo de informação requerida dos empreendedores quanto na qualidade da mesma”, afirma o biólogo Andreas Kindel, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coautor do Conecte – Guia de Procedimentos para Mitigação de Impactos de Rodovias sobre a Fauna. A obra, publicada na internet (www.lauxen.net/conecte), é uma síntese do atual conhecimento sobre os impactos na fauna e sobre como reduzir danos.” – texto da matéria “Massacre nas estradas”, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

Mesmo que todos os processos de licenciamento fossem perfeitos, ainda haveria as estradas e rodovias já construídas.

“Em outubro de 2011, com a Portaria Interministerial 423, envolvendo os ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes, foi criado o Programa de Rodovias Federais Ambientalmente Sustentáveis para a regularização ambiental das rodovias federais que não possuem licença ambiental. A iniciativa determina a realização de programas de monitoramento de fauna com a consequente adaptação da via para evitar e reduzir os atropelamentos.” – texto da matéria “Massacre nas estradas”, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

Mas e as estradas pequenas? Quando o poder público vai tomar providências?

- Leia a matéria completa do site 24 Horas News
- Leia  a matéria “Massacre nas estradas”, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Nas estradas, os cuidados com a fauna se estendem às vidas humanas

Estradas e rodovias com infraestrutura para reduzir os atropelamentos de animais silvestres também são mais seguras para os ocupantes dos veículos. Sinalização, redutores de velocidade, cercas e passagens de fauna em trechos com alto índice de travessia de bichos, fiscalização presente e ações educativas com os motoristas são algumas iniciativas que  ajudam a preservar vidas não-humanas e humanas.

“O acidente ocorrido na manhã desta quarta-feira (19), em Avaré (SP), que provocou a morte de cinco pessoas da mesma família, pode ter sido provocado por um animal silvestre que atravessava a via. O motorista do carro perdeu o controle da direção e bateu de frente com um caminhão.

Cinco pessoas e o gato-do-mato morreram
Imagem: Reprodução TV TEM

O acidente ocorreu na altura do quilômetro 237 da Rodovia João Mellão (SP-255). Segundo o caminhoneiro Guilherme José Ferreira, um gato-do-mato invadiu a pista. Foi neste momento que o motorista do carro invadiu a pista contrária e bateu contra o caminhão frigorífico carregado com três toneladas de carne. O animal foi atropelado e morreu.” – texto da matéria “Acidente que matou família pode ter sido provocado por animal na pista”, publicada em 19 de junho de 2013 pelo portal G1

A implantação de estruturas que visam evitar atropelamentos de fauna não garantem que os animais não tentem cruzar as pistas. Essa possibilidade sempre existirá. Os riscos podem ser ainda mais reduzidos se os motoristas estiverem conscientes dos riscos em determinados trechos das estradas.

Nas estradas, os cuidados com a fauna se estendem às vidas humanas.

- Leia a matéria completa do portal G1