quarta-feira, 8 de maio de 2013

Atropelamento de fauna: infraestrutura inadequada e falta de conscientização

“Infraestrutura inadequada e falta de ações para conscientizar os motoristas são apontadas pelos especialistas como as principais causas do massacre. Como é recente a preocupação com os animais silvestres na construção de estradas, a maior parte da malha rodoviária brasileira não está preparada para evitar os atropelamentos.” – texto da matéria “Massacre nas estradas”, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

Faltam ações para conscientizar os motoristas
Foto: Mozart Lauxen/Ibama

As estradas construídas até 1986 não passavam pelo processo de licenciamento ambiental (que não existia até então). Mesmo com a exigência, afirma-se que a fauna nunca foi levada a sério e tratada com cuidado durante os trabalhos. É por isso que as rodovias brasileiras são tão precárias quando o assunto é cuidado com animais silvestres.

Hoje, segundo especialistas, a realidade começa a mudar. De qualquer forma, o que se vê são ações voltadas para a realização de obras físicas (como instalação de cercas e construção de passagens) e quase nada para conscientizar os motoristas sobre os cuidados que deve ter.

‘“Um estudo na Austrália sugere que uma redução de 20% na velocidade diminuiria em 50% a mortalidade (...)”, diz Andreas Kindel'
. (professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul) - texto da Terra da Gente

Enquanto isso... 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados, todos os anos, nas estradas brasileiras.

Tamanduá-mirim atropeladona BR-262, no Pantanal (MS)
Foto: Marcela Sobanski

- Leia a matéria completa da revista Terra da Gente
- Releia o post “Atropelamento de fauna: 475 milhões é a dimensão do massacre”, publicado pelo Fauna News em  7 de março de 2013

terça-feira, 7 de maio de 2013

Atropelamento de fauna: 475 milhões é a dimensão do massacre

“Estimativa de Alex Bager, coordenador do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), ligado à Universidade Federal de Lavras, indica que 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados nas estradas brasileiras anualmente. “O que está acontecendo é um verdadeiro massacre contra a fauna”, afirma.

Onça-parda atropelada em 2009 na via Anhanguera (SP); animal se recuperou, foi solto e morreu atropelado em 2012
Foto: CCR AutoBAn/Divulgação

Bager se baseou em taxas de atropelamento de 14 artigos científicos, abrangendo 9 estados do Brasil. Os dados foram extrapolados para toda a malha de estradas do Brasil (1,7 milhão de quilômetros), considerando as diferenças entre elas (de terra ou de asfalto, federal, estadual ou municipal). “Ainda trabalhei com outros fatores de correção, pois sabemos que estradas com maior fluxo de veículos têm mais atropelamentos. Também considerei o número de veículos de cada estado em relação à extensão das rodovias”. – texto da matéria Massacre nas estradas, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

O número pode parecer um exagero. Mas não é. Em outros países, a realidade também é alarmante.

“Pesquisa da década de 1960 nos Estados Unidos já alertava para o problema: 365 milhões de animais eram mortos em atropelamentos por ano. Na Espanha, dados dos anos 90 revelam a perda de 100 milhões de bichos anualmente, enquanto na Alemanha o número estimado entre 1987 e 1988 foi de 32 milhões.” – texto da Terra da Gente

Capivara atravessando a BR-471, na Estação Ecológica do Taim (RS)
Foto: Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas

A simples construção de uma estrada já altera bastante o ecossistema que corta. E não somente por causa dos atropelamentos. As pistas passam a ser obstáculos para migrações, em rotas de alimentação e na busca por parceiros para reprodução. As pistas atraem gente e criam um processo de urbanização. O desmatamento passa a ser uma realidade, o que para a fauna significa perda de hábitat.

A circulação de veículos está acompanhada de poluições: a sonora, espantando os animais e confundindo a comunicação entre eles, a atmosférica, com as emissões dos escapamentos, a química, com o óleo e o combustível derramados no solo. São apenas exemplos. O problema e bastante complexo.

Mas os atropelamentos são, talvez, a face mais brutal do conflito estradas X fauna. Anfíbios, répteis, aves e pequenos mamíferos são a maioria das vítimas. A imprensa noticia quando onças, tamanduás, lobos-guarás e animais grandes tombam mortos.

Quem nunca viu uma triste cena dessas?

O poder público começa a se mobilizar para reduzir os atropelamentos, mas ainda só enxerga adequações de infraestrutura. Placas, passagens de fauna e cercas não vão resolver. Falta informar os motoristas e conscientizá-los sobre o problema.

- Leia a matéria completa da revista Terra da Gente

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Começar a semana pensando...

...com Maria Tereza Pádua, engenheira agrônoma e fundadora da Funatura (Fundação Pró-natureza), membro do Conselho da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e da comissão mundial de Parques Nacionais da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) sobre a possibilidade de reabertura da estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu.

'“O professor Alex Bager (coordenador do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, da Universidade Fedral de Lavras - observação do Fauna News) também se posicionou contra a construção da estrada-parque no Iguaçu. Para ele, os impactos de uma rodovia numa unidade de conservação não se limitam apenas a atropelamentos de animais, como normalmente se costuma mostrar:

“Estudos comprovam que o impacto se dá num raio de dois quilômetros a partir da margem da rodovia, tanto para um lado como para o outro. Além de afetar fauna e flora, a estrada influi na hidrologia, causa assoreamento dos rios, poluição por lixo e metais pesados, resultantes de acidentes, facilita a invasão de espécies exóticas, que surgem com os grãos caídos das cargas dos caminhões, e ainda incêndios, provocados por motoristas descuidados que soltam pontas de cigarro”


Depois de afirmar que atua há três décadas na área, Bager disse nunca ter visto no Brasil um exemplo de rodovia que melhorasse a gestão de unidades de conservação.”'

Trecho do artigo “Porque a estrada do Colono deve continuar para sempre fechada”, de Maria Tereza Pádua, publicado em 24 de abril de 2013 no site O Eco

Vegetação já fechou grandes trechos da estrada,
fechada há quase 30 anos
Foto: Divulgação/estadao.com.br

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Reflexão para o fim de semana: preguiça no asfalto e motorista consciente

Bicho-preguiça no meio da pista, no Acre
Foto: Eduardo Farias

“Um exemplar de bicho-preguiça foi flagrado enquanto atravessava a BR-364, na região próxima ao Rio Liberdade, no interior do Acre. O animal foi fotografado pelo deputado estadual Eduardo Farias (PC do B/AC) que viajava para o município de Cruzeiro do Sul, na última quarta-feira (24).

Segundo Farias, o animal foi encontrado a aproximadamente 120 km do município. "Ela estava atravessando a estrada, paramos pra fotografar e ajudá-la na travessia e evitar que fosse atropelada". O deputado ressalta que ela devia ter cerca de 50cm.”
– texto da matéria “Bicho-preguiça é flagrado cruzando estrada no interior do Acre”, publicada em 29 de abril de 2013 pelo portal G1

Quantos animais não têm a mesma sorte e acabam morrendo?

Não importa se a rodovia tem infraestrutura para evitar a travessia dos animais ou para garantir uma travessia segura. Com motoristas bem orientados e conscientes do que podem fazer para evitar os atropelamentos de fauna, milhões de mortes podem ser evitadas.

- Leia a matéria completa do portal G1

Atropelamentos de animais silvestres em estradas: sofrimento além da fauna

“Morreu no final da tarde de ontem (30), em Dourados, uma das vítimas do acidente na rodovia MS-276, ocorrido na segunda-feira (29). A bióloga Maria Alice Silvestre, de 27 anos, estava internada no hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Ela estava grávida de 7 meses.

Ela era passageira de uma Land Rover, que caiu em uma ribanceira localizada no trecho entre Batayporã e Anaurilândia, próxima à ponte do Córrego Combate. O veículo era conduzido pelo marido dela, Vitor Quirolli.

Land Rover onde estava a bióloga
Foto: Acácio Gomes/Nova News

(...) Segundo o Boletim de Ocorrência, eles voltavam de Assis, cidade do interior de São Paulo, quando uma anta cruzou a pista. Para evitar o atropelamento, Vitor desviou do animal, mas acabou perdendo o controle do veículo, que capotou e caiu em uma ribanceira.”
– texto da matéria “Bióloga, 27 anos e grávida de 7 meses, morre após acidente causado por anta”, publicada em 1º de maio de 2013 pelo Campo Grande News

Normalmente, os casos de acidentes em estradas envolvendo fauna silvestre culminam com a morte do animal. Milhões de bichos morrem no Brasil, todos os anos, nesses acidentes.

Além do prejuízo à biodiversidade, a falta de infraestrutura das estradas para evitar os atropelamentos de animais e a ausência de investimentos em campanhas educativas para os motoristas também causam vítimas humanas. Em menor número, mas gente também está morrendo em virtude desses acidentes.

A preocupação do poder público com os atropelamentos de animais em rodovias e suas consequências é recente. Os processos de licenciamentos de estradas já exigem cuidados especiais com a fauna e, desde 2011, iniciou-se um programa de adequação ambiental das BRs antigas.

Estruturas para evitar a travessia dos animais ou que garantam travessias seguras, além de campanhas educativas para os motoristas, evitam que vidas - humanas e não-humanas – corram riscos.

- Leia a matéria completa do Campo Grande News

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Quando o animal apreendido é valioso, dar destino adequado é mais fácil

Uma arara da espécie canindé foi encontrada em um cativeiro em Tanabi (SP) nesta quarta-feira (1º). A ave, que é de uma espécie em extinção, é muito bonita, está bem de saúde e não tem ferimentos.

Arara apreendida em Tanabi
Foto: Divulgação PM Ambiental SP

O animal era mantido irregularmente em uma gaiola. O dono do sítio será investigado pela polícia, que quer saber se ele vende animais silvestres. Por causa da arara, ele foi multado em R$ 5 mil. A arara será levada para um criador autorizado. O dono do sítio negou que seja vendedor de animais.” – texto da matéria “Arara ameaçada de extinção é encontrada em cativeiro em Tanabi’, publicada em 1º de maio de 2013 pelo portal G1

Quando as apreensões envolvem pequenos pássaros (passeriformes), o que representa a maioria dos casos, os policiais enfrentam grandes dificuldades para dar um destino adequado às aves. Diferentemente dos casos envolvendo animais com alto valor no mercado (do tráfico e o legal).

No universo dos criadouros, há uma grande parcela realmente interessada na conservação das aves. Mas também há os que aproveitam a situação para, recebendo a ave apreendida, melhorar seus plantéis, inserindo indivíduos com genética nova, ou até aproveitando o registro do animal para traficar – vende-se a arara apreendida e a substitui por outra capturada na natureza, criando um ciclo. Poucos são os que trabalham pela recuperação e soltura na natureza do exemplar resgatado, já que o processo é caro, demorado, exige muito conhecimento técnico e conta com quase nenhum apoio do poder público.

No Brasil, os criadouros de animais silvestres são divididos em três categorias: científico, conservacionista e comercial (de espécies exóticas e de espécies silvestres). As fraudes e atividades ilegais ocorrem em todas as categorias, já que a fiscalização dessas instituições é ineficiente.

- Leia a matéria completa do portal G1

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Gato-mourisco morre atropelado. E a imprensa ficou no superficial

“Um gato-mourisco adulto foi encontrado morto na Rodovia das Cataratas, em Foz do Iguaçu. O animal foi atropelado por um veículo em alta velocidade, que não foi identificado. Segundo descrição de testemunhas, o motorista estava ultrapassando pela terceira faixa da rodovia, quando bateu no animal, que morreu na hora.

Com certeza, a morte do felino não é um caso isolado
Foto: Adilson Borges/ICMBio

O gato foi encaminhado ao Parque Nacional do Iguaçu, onde também funciona o projeto Carnívoros do Iguaçu. Os técnicos coletaram amostras para compor o banco de dados do projeto. O encaminhamento do bicho para o projeto aconteceu porque um dos técnicos estava passando pela estrada quando viu a equipe da Polícia Ambiental parada e resolveu ajudar. O animal já estava morto. O Carnívoros só monitora animais que estão dentro dos limites do Parque Nacional do Iguaçu.

De acordo com os técnicos, o gato-mourisco (Puma yagouaroundi) atropelado é um macho adulto, que pesava 6,3 kg. De hábitos diurnos, o Puma yagouaroundi não está ameaçado de extinção.”
– texto da matéria “Gato-mourisco é atropelado e morre na Rodovia das Cataratas”, publicado em 30 de abril de 2013 pelo site O Eco

A imprensa poderia apurar um pouco mais casos como esse para contextualizar o leitor sobre o ocorrido. Será que na rodovia está devidamente sinalizada e com infraestrutura para reduzir os atropelamentos de animais silvestres (passagens de fauna e cercas, por exemplo)? Será que os motoristas estão conscientes da possibilidade de, na região, haver animais? Alguma campanha de conscientização é feita? É comum esse tipo de acontecimento na rodovia?

Nada disso consta na matéria, que ficou restrita ao relato. Como se casos como esse fossem raros e inusitados...

Em breve, o Fauna News publicará dados de pesquisadores sobre os atropelamentos de animais silvestres em rodovias brasileiras. São milhões de vítimas.

- Leia a matéria completa de O Eco