segunda-feira, 15 de julho de 2013

Começar a semana pensando...

...sobre o rotineiro atropelamento de animais silvestres em estradas.
Imagem: Reprodução TV TEM
“Infelizmente esse tipo de atropelamento é comum porque as rodovias estão invadindo o espaço dos animais”.

Veterinária Chrissie Prado (de verde na foto), que atendeu na ONG Associação Mata Ciliar uma jaguatirica atropelada por um caminhão na rodovia Edgar Máximo Zambotto, em Campo Limpo Paulista, na manhã de 12 de julho de 2013, em entrevista para o jornal Bom Dia

- Leia a matéria completa do sit do jornal Bom Dia, de Jundiaí, sobre o atropelamento
- Conheça a Associação Mata Ciliar

domingo, 14 de julho de 2013

Criticamente em perigo e mantido em cativeiro numa cozinha

Sobre o sauim-de-coleira:

“O sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) é endêmico da Amazônia central, na área de Manaus, e tem uma das menores distribuições de qualquer primata amazônico. Sua distribuição estende-se a norte do rio Amazonas, ao longo da margem esquerda do Rio Negro, a oeste até o rio Urubu, a leste do rio, ao norte a espécie ocorre até o km 35 da BR174, com uma área de sobreposição com outras espécies, como o Saguinus midas.

(...) A principal ameaça a espécie é o desenvolvimento desordenado de Manaus, causando fragmentação do habitat, perda de habitat, contato com a população humana e de animais de estimação (cães e gatos), causado doenças. O contato com a população humana também proporciona a caça e a captura ilegal da espécie para servir de animais de estimação.”
– texto do site do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ)

Por esses motivos, a espécie está classificada no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, do Ministério do Meio Ambiente, como Criticamente em Perigo.

E o hábito de criar animais silvestres como bichos de estimação tem forte contribuição nesse processo:

“Um sauim-de-coleira, pequeno macaco da região, foi encontrado amarrado em um estabelecimento comercial, localizado na Rua Princesa Diana, na Comunidade Bela Vista, no Bairro Puraquequara, Zona Leste de Manaus, na sexta-feira (12).


Sauim-de-coleira apreendido em uma cozinha
Foto: Divulgação Polícia Civil

De acordo com a Polícia Civil, o resgate do animal ocorreu após denúncias anônimas feitas aos investigadores do 28° Distrito Integrado Polícia (DIP) sobre a existência de um animal silvestre no local. Ao chegarem na residência, os investigadores fizeram buscas e encontraram o animal amarrado ao pé de uma mesa no interior da cozinha do estabelecimento.” – texto da matéria “Sauim-de-coleira é resgatado amarrado em loja, em Manaus”, publicada em 13 de julho de 2013 pelo portal G1

A situação da espécie é tão grave que o jornal A Crítica, de Manaus, publicou:

“Dos bichos amazônicos, o sauim-de-coleira é o mais ameaçado de extinção. Integra o nível mais grave (criticamente em perigo) do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada elaborada do Governo Federal, com base em levantamento da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). O sauim-de-coleira supera em vulnerabilidade o peixe-boi, a onça pintada e outros primatas e felinos selvagens. (...)

Extinção em 50 anos
Foto: Márcio Silva

Se nada for feito para salvá-lo, em um futuro próximo (estimativa de 50 anos ou, para alguns menos otimistas, 20 anos), ele só poderá “ser visto em fotografias”, como alerta o diretor do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, Alcides Pissinatti, um dos maiores especialistas em primata do mundo.”
– texto da matéria “Animal mais ameaçado da Amazônia, sauim-de-coleira pode ser extinto em poucas décadas”, publicada em 31 de março de 2013

Vale destacar: 50 anos, para os otimistas...

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa do jornal A Crítica
- Releia o post do Fauna News “Reflexão para o fim de semana: o ameaçado sauim-de-coleira”, publicado em 5 de abril de 2013

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Reflexão para o fim de semana: a oncinha órfã da estrada

Onça-parda filhote encontrada ao lado do corpo da mãe
Foto: Divulgação PMA/MS

“Policiais militares ambientais resgataram um filhote de onça que perdeu a mãe atropelada sobre uma ponte do Rio Itaquiraí, na BR-163.

Ele foi encontrado por um morador de Sonora, que o levou para casa. O homem passava pelo local quando viu o animal ao lado do corpo da mãe, já morta.”
– texto da matéria “Filhote de onça que “velava” a mãe atropelada na BR-163 é resgatado”, publicada em 8 de julho de 2013 pelo site Campo Grande News

Estimativa do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas indica que 475 milhões de animais silvestres são atropelados anualmente nas estradas e rodovias brasileiras.

Para a oncinha órfã restará o cativeiro...

- Leia a matéria completa do Campo Grande News
- Leia a matéria Massacre nas estradas, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

Esquema de traficantes de animais desbaratado em MG. Mas eles não deverão parar

“Uma denúncia anônima registrada na tarde desta quarta-feira ajudou a Companhia de Meio Ambiente da Polícia Militar a prender um homem suspeito de vender pássaros silvestres na Grande BH. Segundo a PM, Luis Carlos Ferreira de Oliveira, conhecido como Baiano, capturava os animais no interior da Bahia e os comercializava no Bairro Tupi, Região Norte de BH, e no Bairro São Benedito, em Santa Luzia. O receptador seria um comerciante ilegal de animais, conhecido como “Zé Baixinho”.

(...)“Havia indícios que os pássaros eram para venda e não para criação, pois muitos estavam em uma mesma gaiola, e bravos, indicando que são recém-capturados”, explicou o Sargento Denilson Sobrinho, que participou da operação.”
– texto da matéria “PM prende suspeito de comércio ilegal de pássaros silvestres na Grande BH”, publicado em 10 de julho de 2013 pelo site do jornal mineiro Estado de Minas

No tráfico de fauna, só quem fica preso são os animais
Foto: Renata Diem

O esquema envolvendo Baiano e Zé Baixinho (José das Neves Filho), de 81 anos e várias passagens pela polícia pelo envolvimento com o tráfico de fauna, é bastante comum. Um sujeito captura os animais, ou os compra de moradores das áreas de captura, normalmente no Norte, Nordeste e Centro-oeste, e os repassa para comerciantes em grandes cidades do Sudeste, como as das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

E assim trabalhavam Baiano, na captura, e Zé Baixinho, na venda. E assim, provavelmente, continuarão a trabalhar. Dessa vez, com eles foram apreendidos 85 aves.

Da forma como a Lei de Crimes Ambientais trata esse crime, ninguém vai para a cadeia por traficar animais, que tem pena prevista de seis meses a um ano. Pelo fato de as penas serem inferiores a dois anos (“menor potencial ofensivo”), os acusados são submetidos à Lei 9.099/1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais e abre a possibilidade da transação penal e a suspensão do processo. É o famoso pagamento de cestas básicas ou trabalho comunitário.

A dupla, provavelmente, vai parar por algum tempo de traficar animais. Mas, infelizmente, deverá voltar a cometer o crime.

Lei fraca impulsionando a impunidade.

- Leia a matéria do Estado de Minas

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Tráfico de animais em feiras: uma praga que infesta o Nordeste

“Apesar de as ações na feira de Duque de Caxias serem conhecidas nacionalmente, é no Nordeste que esse tipo de comércio prevalece. “Praticamente não há municípios onde animais silvestres não possam ser comprados nesse tipo de mercado. É cultural”, afirma Marcelo Pavlenco Rocha, presidente da ONG SOS Fauna, que desde 1989 atua no combate ao tráfico de animais.” – texto da matéria “Tráfico no varejo”, publicada na edição de julho de 2013 da revista Terra da Gente

 Tráfico em Feira de Santana (BA): escancarado
Foto: F. Schunck

O comércio ilegal de animais silvestres em feiras está espalhado por todo o país. A declaração de Marcelo Pavlenco Rocha não é preconceituosa, mas baseada em fatos. Existem sim inúmeras feiras em que o tráfico de fauna ocorre nas demais regiões do Brasil, contudo nada se compara ao que ocorre no Nordeste.

Nos municípios dessa região, sejam eles grandes ou pequenos, o tráfico de fauna, principalmente de aves, é gigantesco. E a polícia e os órgãos de fiscalização sabem e, muitas vezes, fazem “vista grossa” ao problema – principalmente os policiais de comandos e batalhões não especializados no combate a crimes ambientais.

A feira de domingo do município de Duque de Caxias ganhou notoriedade pela sua dimensão (estima-se em pelo menos dois mil bichos vendidos todo fim de semana), mas o comércio “pulverizado” dos pequenos mercados de rua, com certeza, vende uma quantidade maior de animais. E, para piorar a situação, como não chamam a atenção contam com a falta de fiscalização como aliada.

“Tanto ambientalistas quanto policiais e agentes de órgãos de fiscalização concordam que o mercado negro da fauna silvestre em feiras sempre existirá. E são unânimes em afirmar que fiscalização constante, ações de inteligência policial para desarticular quadrilhas e melhorias na legislação que trata do tráfico são essenciais para reduzir o crime. Porém, a conscientização da população, principalmente das crianças e jovens, é considerada a melhor forma para combater a prática. “As pessoas precisam ter consciência de que estão praticando o mesmo crime que pratica o traficante que lhes vendeu o animal. o ato da venda está atrelado ao da compra”,  observa Kilma.” (Kilma Manso é presidente da ONG ECO – Organização para Conservação do Meio Ambiente, ex-servidora do Ibama e ex-policial federal que atuou na Delegacia de Repressão aos Crimes Ambientais e contra o Patrimônio Histórico na Superintendência baiana da PF).

Feira em Campina Grande (PB)
Foto: Divulgação SOS Fauna

Comentar mais o quê?

- Leia a matéria completa da revista Terra da Gente

Fragata no cativeiro. Até aves marinhas não escapam do hábito humano de engaiolar

O principal incentivador do tráfico de fauna é o hábito do ser humano de criar animais silvestres como bichos de estimação. As aves, no Brasil, são as principais vítimas, representando mais de 80% do total dos animais apreendidos.

Esse hábito pode, muitas vezes, fugir do convencional e vitimar aves não tão comuns no universo do tráfico (como passarinhos, papagaios e araras).

“Um tucano e uma fragata foram resgatados por agentes da Guarda Ambiental durante operação em Macaé, Baixada Litorânea do Rio de Janeiro. O tucano do bico preto foi encontrado no bairro Jardim Vitória e a fragata foi resgatada na Avenida Presidente Sodré, em frente a prefeitura.

Tucano e fragata apreendidos em Macaé (RJ)
Foto: Juranir Badaró/Secom

Os agentes chegaram até o local após denúncia anônima. As aves foram encaminhadas para o Centro de Tratamento de Animais (CTA), localizado no distrito de Barra de São João em Casimiro de Abreu.” – texto da matéria “Aves silvestres são resgatadas em Macaé, RJ, após denúncia anônima”, publicada em 10 de julho de 2013 pelo portal G1

Tucanos são mais comuns de serem encontrados em cativeiro. Já as fragatas... É a primeira vez que o Fauna News tem notícia desse tipo de ave em cativeiro. A matéria não especificou a espécie.

- Leia a matéria completa do portal G1

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Onça atropelada: será que volta à vida livre?

“A Polícia Militar Ambiental (PMA) de Costa Rica, localizou e socorreu uma onça-parda atropelada, no quilometro 91 da MS-436 entre Figueirão e Alcinópolis, na madrugada do último sábado (06).

Onça-parda no momento do resgate
Foto: Divulgação PMA/MS

 Os policiais encontraram a onça durante uma fiscalização de rotina. O animal estava ferido, com as patas lesionadas, deitado as margens da rodovia e foi  socorrido e encaminhado imediatamente para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres em Campo Grande (MS).”
– texto da matéria “PMA socorre onça-parda atropelada na MS-436 entre Figueirão e Alcinópolis”, publicada em 8 de julho de 2013 pelo site O Correio News (Chapadão do Sul – MS)

O felino estava com as patas machucadas
Foto: Divulgação PMA/MS

O ocorrido com essa onça tem um ponto em comum com a história de outro felino da mesma espécie: o Anhanguera.

“A história da onça-parda Anhanguera é uma das mais emblemáticas quando se aborda o conflito entre estradas e animais silvestres. Às 5h de 14 de setembro de 2009, o felino, um jovem macho com idade variando entre 10 meses e um ano, sai da mata e chega às margens da via Anhanguera, na altura do município paulista de Louveira. Decidido a chegar ao outro lado, ele arrisca, avança para o meio da pista e acaba atingido por um veículo.

Anhanguera sendo resgatado em 2009
Foto: Divulgação CCR AutoBAn

(...)Foram diagnosticadas fraturas em costelas e um dente canino quebrado. Apesar das lesões, foi constatado que Anhanguera tinha potencial para voltar à natureza. O processo de recuperação do felino durou um ano e seis meses, até sua soltura em 10 de março de 2011 em uma mata da Serra do Japi.”
– texto do post “Atropelamento de fauna: o emblemático caso da onça Anhanguera”, publicado pelo Fauna News em 10 de maio de 2013

Seria muito bom se a onça-parda do Mato Grosso do Sul conseguisse a segunda chance que Anhanguera teve. O felino paulista voltou para as matas, onde viveu livre e cumprindo suas funções ecológicas até 18 de abril de 2012.

“Repetindo o ocorrido em 2009, Anhanguera novamente voltou a estar na margem de uma estrada. Era 18 de abril de 2012. Dessa vez a faixa de asfalto tinha outro nome: rodovia dos Bandeirantes. Na altura do km 55, o felino aventurou-se para chegar à mata do outro lado e foi atropelado. A sorte não se repetiu: o impacto causou fraturas na coluna e nas costelas, além de ruptura do fígado e do diafragma. A morte foi instantânea.” – texto do Fauna News

Lamentável e emblemático. A declaração da veterinária e Coordenadora de Fauna da Associação Mata Ciliar, Cristina Harumi Adania, que cuidou de Anhanguera valem ser repetidas:

“A onça Anhanguera foi um marco da nossa luta pela conservação. Houve uma comoção muito grande quando soubemos da sua morte porque todos acompanhavam sua história e torciam por um final feliz. No entanto, ele mostrou que o fato de estar livre não garante a sobrevivência, isto é, o ambiente natural está sendo cada vez mais modificado e com tal rapidez que os animais não conseguem se adaptar”.

Infelizmente, a onça atropelada na MS-436 vai precisar de muito mais que sorte para sobreviver caso volte à vida livre. Ela e toda a fauna silvestre que vive em regiões cortadas por estradas e rodovias precisam de gestão competente do poder público na implantação de infraestrutura que reduza o risco de atropelamentos.

- Leia a matéria completa de O Correio News
- Releia do post “Atropelamento de fauna: o emblemático caso da onça Anhanguera”, publicado pelo Fauna News em 10 de maio de 2013