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terça-feira, 27 de maio de 2014

A capivara do Amazonas: era pet ou refeição?

“Uma capivara adulta foi resgatada de um cativeiro ilegal, na tarde deste domingo (25), no Amazonas. De acordo com o Batalhão Ambiental, o animal foi encontrado em uma jaula improvisada, em uma residência situada na comunidade Bela Vista, no km 55 da Rodovia Manoel Urbano, que liga Manaus a Manacapuru. Ao órgão, o proprietário da casa, de 38 anos, alegou que havia comprado o animal por R$ 300 e que o mantinha em casa por vontade dos filhos.

A capivara foi resgatada pela PM Ambiental do Amazonas
Foto: divulgação PM Ambiental AM

(...)Segundo Eliane, o homem disse que mantinha a capivara no local há quatro dias. Além disso, ele teria alegado que adquiriu a capivara com um vendedor que passou pela área. "Ele não foi claro quanto a finalidade do confinamento. Ele chegou a dizer que mantinha o animal em casa por causa dos filhos, que gostavam da capivara. Depois contou que pretendia engordá-lo", contou.”
– texto da matéria “Capivara é resgatada de cativeiro em residência no Amazonas”, publicada em 25 de maio de 2014 pelo portal G1

Seja qual for o motivo, o fato é que a capivara foi retirada de seu hábitat e vendida para satisfazer um capricho do ser humano. Não importa se o animal seria tratado com todo amor, como um bichinho e estimação, ou se seria engordado para parar na panela, simplesmente pela satisfação de se alimentar com uma carne diferente.

E não importa se a capivara não é uma espécie em risco de extinção, com população grande. O fato é que animais silvestres devem permanecer em seus ecossistemas de origem, cumprindo seus papéis ecológicos (sendo predados, predando, espalhando sementes e ajudando a plantar florestas, etc).

Falta investimento do poder público em educação ambiental, conscientizando a população desses problemas e dos riscos à saúde pública causados pela retirada dos silvestres de seus hábitats (zoonoses).

- Leia a matéria completa do portal G1

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Capivara e motorista mortos: mais vítimas para as estatísticas

“O motorista de um carro de passeio morreu nesta sexta-feira (1º) em um acidente ocorrido na BR-158, em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. Segundo informações da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), do município, a vítima perdeu o controle da direção do veículo após bater em uma capivara que atravessava a pista, nas proximidades do Distrito Vale dos Sonhos. Em seguida, o carro colidiu com uma árvore às margens da rodovia.” – texto da matéria “Motorista morre em MT após atropelar capivara e bater em árvore”, publicada em 1º de novembro de 2013 pelo site ExpressoMT

Duas mortes: capivara e motorista
Foto: ExpressoMT

O número estimado de animais mortos por atropelamentos em estradas e rodovias no Brasil é de 475 milhões por ano, de acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas. A quantidade de pessoas mortas nessas circunstâncias é bastante menor, mas suficiente para motivar campanhas pela segurança de motoristas e pedestres.

E para reduzir os impactos contra os animais? Há campanhas? São poucas as iniciativas. A população ainda não está suficientemente informada da dimensão da tragédia que impacta os animais silvestres nas rodovias e estradas brasileiras.

A legislação aos poucos está sendo aperfeiçoada, exigindo adaptações das rodovias. Os técnicos já se preocupam com o traçado dos novos empreendimentos, mas sempre há impactos. Se a população e as entidades ambientalistas realmente pressionassem o poder público, soluções mais eficientes e rápidas apareceriam.

Infelizmente, grande parte da sociedade só se compadece das mortes humanas.

- Leia a matéria completa do ExpreessoMT

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Biodiversidade ameaçada, vidas humanas em risco e prejuízo material

“A BR 163 foi interditada das 16h de hoje (21), até as 19h30 para a retirada de um caminhão que tombou as margens da rodovia. As duas vias do Km 239 entre Dourados e Caarapó, a 100 metros do Rio Dourado, ficaram paradas e a fila chegou a 10 km.

Caminhão tombou ao tentar desviar de capivara
Foto: Caarapó News

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal o fluxo está lento, mas voltou ao normal no fim da noite.

Conforme informações extra oficiais repassadas ao CaarapoNews, na manhã desta segunda-feira (21) o motorista de uma caminhão – não identificado - que seguia no sentido Dourados/Caarapó teria perdido o controle do veículo após tentar desviar de uma capivara na pista. Ele teve apenas ferimentos leves.”
– texto da matéria “Ao desviar de capivara, caminhão acaba tombando na BR-163”, publicada em 21 de outubro de 2013 pelo site Caarapó News

Atropelamento de animais silvestres em estradas: biodiversidade ameaçada (475 milhões de animais mortos atropelados em estradas brasileiras todos os anos), vidas humanas em risco e prejuízo material (cargas tombadas, sistema de saúde arcando com custos, congestionamentos causando perdas).

Vale uma observação: a matéria não deu uma pista sobre o que aconteceu com a capivara.

- Leia a matéria no Caarapó News

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Mais amor torto: depois do macaco Chico, agora é a capivara Jorge

Um dos principais incentivadores do tráfico de fauna é a cultura do criar animais silvestres como bichos de estimação. O hábito não é novo e acompanha a humanidade há tempos. Um dos últimos capítulos desse capricho de algumas pessoas envolveu a apreensão do macaco-prego Chico, na verdade uma fêmea, que viveu por décadas com uma família do interior paulista.

Chico, que foi rebatizado como Carla, foi apreendido em 3 de agosto de 2013 após permanecer sem autorização do órgão ambiental por 37 anos com Elizete Farias Carmona, de 71 anos, em São Carlos (SP). O animal foi levado para a ONG Associação Protetora de Animais Silvestres (APASS), em Assis (SP). O caso causou grande polêmica com gente defendendo a ação do Estado e gente considerando uma crueldade a retirada do macaco do local onde, alegam, estaria ambientado.

Mudando um pouco o foco da discussão, deslocando-o dos animais para os humanos, uma máxima do doutor em Conservação da Vida Silvestre, fundador da Escola da Amazônia e membro do Instituto Pró-Carnívoros, Silvio Marchini, tem de ser lembrada: manejo de fauna é manejo de gente.

O comportamento de dona Elizete, que alegou tratar a macaca como um filho, não é uma exceção:

“Uma capivara de aproximadamente quatro meses foi entregue nesta sexta-feira (5) à Polícia Militar do município de Mucajaí, a 51 quilômetros de Boa Vista. O animal, chamado de Jorge pela família, estava vivendo em uma residência e era tratado como membro da família, segundo os policiais.

Jorge, a capivara, ganhou até uma festinha com direito a roupinha
Foto: Arquivo pessoal

O mamífero foi encaminhado à Companhia de Policiamento Ambiental na capital. De acordo com o major Charles Matos, a dona de casa Maria das Graças Silva, de 55 anos, entregou o animal devido a informações de que ele poderia ficar agressivo quando chegasse à vida adulta.

"Ela procurou a polícia de forma voluntária. Na hora da despedida, houve muita comoção. Os filhos da mulher choraram bastante, por terem se apegado à capivara", disse o major.

Aos policiais, Maria das Graças informou que resolveu cuidar do bicho quando, ainda filhote, foi encontrado machucado no quintal da casa. Ela disse que tinha o maior amor pelo animal, mas que muitas pessoas diziam que ela poderia ser multada caso a polícia descobrisse.

"A casa está vazia. Meus cinco filhos e dez netos estão tristes demais. Uma das minhas filhas ainda não comeu nada o dia todo. O Jorge dormia na minha cama e tomava mamadeira três vezes por dia", disse.”
– texto da matéria “Em Roraima, mulher entrega à polícia capivara que era tratada como 'filho'”, publicada em 5 de agosto de 2013 pelo portal G1

O caso envolvendo a capivara Jorge não chegou ao extremo do macaco-prego, mas também mostra o quanto esse tipo de amor torto pode gerar consequências. A família de Roraima tomou a decisão certa, ainda que não estivesse pensando no bem estar do animal e sim considerando uma futura agressividade do animal e a possibilidade de uma multa.

Deve-se reparar que o pensamento continua antropocêntrico, em que o ser humano está no centro das decisões e o restante do universo existe para servi-lo. Mas para as famílias que criavam o macaco-prego e a capivara, existia a convicção de que se estava fazendo o melhor pelos animais – afinal, o que pode ser melhor que o nosso amor incondicional?

Chico: como um filho para dona Elizete
Foto: Fabio Rodrigues/G1

Em última análise, o que Marchini afirma é que os problemas enfrentados pela fauna silvestre têm sua origem em ações humanas e não no comportamento do animal. Bichos sofrem e o meio ambiente é pressionado, no caso do tráfico de fauna e de cativeiros ilegais, para suprir carências afetivas e uma necessidade de manter-se ligado à natureza que se manifesta por meio de gaiolas e jaulas.

Está na hora de tratar o comportamento do homem com mais seriedade. O tráfico de fauna não vai ser resolvido apenas com ação policial e com biólogos e veterinários trabalhando com animais apreendidos e tentando, na medida do possível, realizar solturas. O combate ao mercado negro precisa de advogados, juízes, legisladores, educadores, jornalistas, publicitários, antropólogos e uma infinidade de profissionais.

O poder público ainda não se deu conta disso. O que ainda não ficou claro é se por falta de conhecimento ou por não priorizar o problema.

- Leia a matéria completa “Em Roraima, mulher entrega à polícia capivara que era tratada como 'filho'”, publicada em 5 de agosto de 2013 pelo portal G1
- Leia o artigo de Silvio Marchini “Manejo de fauna, manejo de gente”, publicado em 14 de março de 2012 no site O Eco
Releia os posts do Fauna News sobre o macaco-prego de São Carlos:
- Macaco Chico: vítima do poder público ausente e do amor torto por animais, publicado em 5 de agosto de 2013
- Macaco Chico: na verdade uma fêmea criada no amor torto, publicado em 6 de agosto de 2013
- Macaco Chico: caso do animal mantido 37 anos em cativeiro pode parar na Justiça com argumentos afetivos, publicado em 7 de agosto de 2013