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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Projeto internacional tenta salvar tigres da extinção

Assim com está acontecendo com rinocerontes e elefantes, a luta para evitar a extinção dos tigres está ficando com jeito de guerra. Como as políticas de conservação das espécies - se é que existem – estão fracassando, resta agora a repressão com inteligência.

“Interpol e o Banco Mundial lançaram o Projeto Predador, uma iniciativa de execução global para proteger e salvar os últimos remanescentes tigres selvagens do mundo. (...)

Foto: site www.imagensgratis.com.br

O Projeto Predador proporcionará capacitação para agências de aplicação de lei ambientais para combater o comércio ilegal de peças de tigres e outros crimes relacionados a tigres, reforçando a sua capacidade de trabalhar com agentes oficiais usando avançados e melhores e métodos de inteligência para investigação.”
– tradução do texto de divulgação da CAWT (Coalition Against de Wildlife Trafficking)

Por meio da Global Tiger Initiative, estão reunidos funcionários dos 13 países onde os tigres sobrevivem, a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o Departamento do Reino Unido para Assuntos Ambientais, Alimentares e Rurais (Defra), o Banco Mundial, o Instituto Smithsoniano e a Interpol.

No início de 1900, os tigres eram encontrados em toda a Ásia e sua população era de mais de 100 mil animais. As estimativas atuais indicam que menos de 3.200 permanecem em estado selvagem.  A caça ilegal, principalmente para obter sua pele e ossos para uso decorativo ou medicinal, é uma das principais causas do declínio do animal.

Em 26 de janeiro de 2011, o Fauna News publicou "Tigres: muito perto da extinção". Escrevi nesse post que cada pele chega a custar US$ 20 mil e uma pata US$ 1.000. Leia mais:

“Além da óbvia redução do hábitat promovida pela ocupação humana, a pressão sobre as seis subespécies não extintas (outras três já não existem mais – tigre-de-bali, tigre-de-java e tigre-do-cáspio ou tigre-presa) é muito motivada pela seguinte anatomia da medicina tradicional e da evocação por proteção sobrenatural:

- bigodes: em Sumatra, acredita-se que trazem boa sorte e protegem contra maldições;
- caninos: usados em joias para atrair sorte e proteção;
- cauda: usada para tratar doenças de pele na China;
- olhos: usados para tratar epilepsia;
- ossos: usados na medicina chinesa;
- osso da pata dianteira direita: em Sumatra, é usado para tratar dores de cabeça;
- patas: adornadas com ouro para atrair sorte e proteção (Sumatra);
- pênis: acredita-se que promova virilidade e vitalidade, sendo muitas vezes imerso em tônicos ou em álcool (China);
- peles: pequenos pedaços são usados para a proteção contra magia negra e xamãs podem usá-las para fazer feitiços (Sumatra). No Tibete, a pele serve para fazer roupas cerimoniais.”
Foto: Vivek R. Sinha/WWF
Todo o comércio internacional de partes de tigres é proibido pela CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora).

O texto da CAWT não explica com mais detalhes o projeto. Mais uma vez, como acontece com os chifres de rinocerontes no Vietnã e na China, a medicina tradicional está contribuindo para a extinção de espécies. Cadê a educação nas políticas públicas para mudar essas crenças e costumes? Só a repressão não vai resolver. Fato.

- Leia o texto da CAWT (em inglês)
- Releia "Tigres: muito perto da extinção”, de 26 de janeiro de 2011

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