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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Finalmente uma paulada nas quadrilhas de tráfico internacional de canários

Já faz tempo que o Fauna News acompanha as apreensões dos chamados canários peruanos em território brasileiro. Os pássaros são trazidos do Peru, Venezuela e Equador para as rinhas do Brasil. Na segunda-feira (2 de abril de 2012), a Polícia Federal, depois de muita investigação, entrou em ação com a chamada Operação Estalo para o cumprimento de 62 mandados judiciais em nove estados: 33 de busca e apreensão, 20 de prisão preventiva, 2 de prisão temporária e 7 conduções coercitivas em Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Ceará, Amazonas, Santa Catarina, Roraima e Distrito Federal.

Veja o resultado:

“A Operaçao Estalo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (2), cumpriu 20 mandados de prisão preventiva, dois temporários, sete conduções coercitivas e 30 de busca e apreensão em oito estados da federação, além do Distrito Federal. Cinco mandados ainda estão em aberto. Duas pessoas foram presas em flagrante em Minas Gerais e Santa Catarina. As investigações, que começaram em Pernambuco em fevereiro de 2011, desarticularam parte de uma quadrilha que atuava traficando aves silvestres e exóticas.” – texto da matéria “Operação da PF desarticula quadrilha internacional de tráfico de aves”, publicada em 2 de abril de 2012 pelo portal G1

Foto: Divulgação Polícia Federal

Lendo algumas matérias publicadas sobre a operação da PF, dois números chamaram a atenção:

“No decorrer das investigações, mais de doze mil aves contrabandeadas pelas quadrilhas foram apreendidas em rodovias e aeroportos de diversos estados.” – texto de divulgação da própria Polícia Federal

‘"A operação visa reprimir o contrabando desses animais, mais precisamente canários, da Venezuela e Peru, que eram distribuídos no país para fomentar a prática de rinha. Conseguimos atuar para reprimir esse tipo de crime no país. A gente estima que, só no ano passado, a quadrilha poderia ter traficado até 60 mil animais por ano", falou Marlon Jefferson de Almeida, superintendente da PF em Pernambuco.’ – texto do portal G1

Resumindo: 12 mil canários apreendidos desde o final de 2010, quando começaram as investigações, e 60 mil canários podem ter sido traficados por ano. Quer saber se isso dá lucro?

Veja:

“De acordo com a Polícia Federal, as aves são adquiridas por valores entre R$12 e R$ 15. No mercado clandestino dos atacadistas, os valores vão de R$130 a R$ 220. Por fim, alcançam o mercado interno, onde são negociados por revendedores locais a preços que de R$ 200 a R$ 300.” - texto da matéria “Operação da PF contra tráfico de aves prende policial aposentado em MS”, publicada em 2 de abril de 2012 pelo site Campo Grande News

Para os responsáveis por colocar os canários em rinhas, caso a ave se destacasse e fosse vitoriosa, o sujeito chegava a ganhar até R$ 50 mil de apostas. Um pássaro com esse potencial de lucro poderia ser negociado (vendido) por até R$ 100 mil.

“Segundo a PF, nas rinhas os canários são avaliados de acordo com a habilidade apresentada, podendo ser negociados a R$ 100 mil . As apostas também alcançavam vultosas quantias, com valores que chegavam a R$ 50 mil.” – texto da matéria “Polícia Federal prende suspeitos de tráfico de pássaros em Minas e outros nove estados”, publicada em 2 de abril de 2012 pelo site do jornal Estado de Minas

Canários peruanos
Foto: Simão Nogueira

Rotas
“Os canários vinham, principalmente do Peru e da Venezuela, por duas rotas internacionais distintas. Na primeira, os pássaros seguiam pela Bolívia e entravam no Brasil pela cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, onde um policial civil facilitava a entrada. De lá, eram transportadas até São Paulo, onde eram encaminhadas para os principais centro distribuidores, como Minas Gerais e Distrito Federal. Na segunda rota, as aves entravam pela fronteira do Amazonas e Roraima e seguiam até o Ceará, onde eram distribuídas.” – texto da matéria do portal G1

Na rota que passava por Corumbá, um policial civil aposentado foi preso acusado de estar envolvido no tráfico.

“A Operação Estalo, deflagrada hoje pela PF (Polícia Federal), prendeu um policial civil aposentado em Corumbá. Ele, que não teve o nome divulgado, usava a condição de policial para fazer a travessia das aves na fronteira com a Bolívia. O acusado chegava a receber R$ 3 mil por carregamento.

De acordo com o delegado da PF, Alexandre Nascimento, o preso prestou depoimento e foi transferido para Campo Grande. Ele negou as acusações. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão em sua casa, mas nada foi encontrado.”
– texto do site Campo Grande News

Esquema
“Para legalizar as aves que entram de forma ilegal no Brasil, os suspeitos fraudavam sistemas federais de controle, com falsificações e adulterações de marcações, conhecidas como anilhas.

Dentre os envolvidos, ao menos oito possuem cadastro como criadores amadoristas, alguns com licença cancelada pelo Ibama. Também foi identificada a utilização de documentos judiciais e administrativos, como autos de depósito e termos de nomeação de fiel depositário, para camuflar as aves mantidas nos planteis clandestinos.

Boletins de ocorrência policial também foram utilizados para justificar a comercialização irregular das aves pelos criadores amadoristas cadastrados.”
– texto do site Campo Grande News

A PF ainda informou que de cada 700 aves transportadas pela quadrilha, cerca de 150 morriam.

Polícia Federal, eu quero mais!

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa do Campo Grande News
- Leia a matéria completa do Estado de Minas
Releia, do Fauna News:
- “No tráfico de animais, o Brasil também atua como receptador”, de 5 de maio de 2011
- “Canários peruanos: o absurdo continua”, de 19 de maio de 2011
- “Depois dos 517 papagaios, agora é a vez dos 1.870 canários: descaso do poder público”, de 17 de janeiro de 2012

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