terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Final feliz: resgatado de zoo particular, urso volta à natureza

“No último mês, um dos residentes do centro de resgate da instituição, o urso de cinco anos chamado Kudat, foi libertado e deu seus primeiros passos na floresta.

Kudat chegou à BSBCC (observação do Fauna News: Bornean Sun Bear Conservation Centre) em julho de 2010 após ele e um urso fêmea chamada Panda terem sido confinadas em um pequeno zoológico particular, na Malasia.

Kudat na floresta após solutra
Foto: Bornean Sun Bear Conservation Centre

Segundo o CEO da BSBCC e seu fundador, Wong Siew Te, os dois ursos foram aprisionados em pequenas celas de concreto e explorados sendo expostos ao público durante o dia para o entretenimento. Ambos eram mal alimentados e Kudat tinha sinais de agressão em sua pele.”
– texto da matéria “Urso-malaio é libertado e caminha na floresta pela primeira vez”, publicada em 6 de janeiro de 2014 pela Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda)

Resgate de Kudat
Foto: Bornean Sun Bear Conservation Centre

A captura e comércio de animais para confinamento em zoológicos particulares é uma das faces do tráfico de fauna. Esse tipo de mercado negro movimenta bastante dinheiro pois, muitas vezes, a demanda é por exemplares de espécies raras, ameaçadas de extinção ou que habitam locais de difícil acesso. Assim aconteceu com a ararinha-azul, capturada no sertão baiano até seu desaparecimento na natureza. Atualmente, 86 aves da espécie vivem em cativeiro de programas de conservação espalhados pelo mundo (incluindo o Brasil).

A situação dos ursos-malaios ainda tem um agravante: a exploração para extração de bile, usada na medicina tradicional asiática.

“O urso-malaio é uma das menores espécies de urso no mundo e também uma das últimas a ser descoberta, são muito difíceis de serem encontradas na natureza, mesmo tendo uma aparência indescritível. Como resultado, o número exato de sua população ainda permanece desconhecido.

Por enquanto, o que não é segredo para ninguém é que estes animais, como muitos outros no mundo, estão sob forte ameaça devido à atividade humana.

O desflorestamento, caça e a demanda para a medicina tradicional asiática (que utiliza a bílis dos ursos, além de outras comidas “exóticas” como a sopa de pata de urso, que já tem vitimado diversos destes animais), fez dos ursos-malaios animais em perigo e classificados como “vulneráveis” pela lista vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

Segundo a IUCN, somente em 30 anos, a população de ursos-malaios caiu para 30% no sudeste asiático, onde eles têm unicamente a floresta do Borneo como habitat natural.”
– texto da Anda

Vale destacar que no Vietnã e na China as “fazendas” de exploração de ursos para extração de bile são legalizadas. Infelizmente, pouquíssimos voltam à vida livre. Milhares permanecem explorados em cativeiros cruéis e com muita dor.

- Leia a matéria completa da Anda

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Tráfico em feiras: um mal sem fim

O comércio ilegal de animais silvestres em feiras é uma das principais faces do tráfico de fauna brasileiro. Em especial no Nordeste. Há quem diga que esse mercado negro ocorre nas feiras de todos os município da região.

Em Alagoas não é diferente.

“Mais de 60 pássaros silvestres foram apreendidos por militares do Batalhão de Polícia Ambiental de Alagoas (BPA) em feiras livres dos municípios de Maribondo, Rio Largo e no bairro da Levada, em Maceió, na manhã deste domingo (5).

Aves apreendidas em feiras de Alagoas
Foto: Divulgação PMA/AL

(...) Nos locais foram encontrados em gaiolas pássaros de diversas espécies, algumas delas ameaçadas de extinção. Ainda de acordo com o tenente, ninguém foi preso ou autuado durante a operação. Ele informou que é comum nas abordagens os comerciantes fugirem quando percebem a chegada da polícia e abandonarem as gaiolas.”
– texto da matéria “BPA apreende mais de 60 pássaros silvestres em feiras livres de Alagoas”, publicada em 5 de janeiro de 2014

Até quando o poder público irá investir (ainda que mal investido) apenas em repressão? Educação ambiental, infraestrutura para o pós-apreensão (primeiros socorros, centros de triagem, áreas de soltura, profissionais estimulados e capacitados) e investimentos sociais em áreas de captura para evitar que a pobreza incentive o envolvimento com o tráfico, além de legislação realmente punitiva, são necessários para combater esse crime contra a biodiversidade e a saúde pública com o mínimo de competência.

É tão difícil assim?

Ou é falta de interesse?

- Leia a matéria completa do portal G1

Começar a semana pensando...

...na retirada de ovos de ninhos para o comércio de papagaios filhotes.
Foto: Glaucia Seixas
"Os comerciantes ilegais retiram os ovos dos ninhos, deixando apenas um só, e os chocam em casa para comercialização dos filhotes".

Alberto Castro, fiscal do Ibama do Ceará, na matéria “Ibama intensifica combate ao tráfico de animais silvestres”, publicada em 31 de dezembro de 2013 pelo site do jornal Diário do Nordeste

- Leia a matéria completa do Diário do Nordeste

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Reflexão para o fim de semana: em época de estradas cheias, tráfico aumenta

Bicho-preguiça apreendido com traficante em estrada mineira
Foto: Divulgação Polícia Rodoviária Federal

“Comprar ou vender animais selvagens é crime, mas a prática aumenta no período de férias. A atividade clandestina cresce ano a ano e, de 2012 para 2013, aumentou 40% no Brasil. O tráfego intenso nas estradas, nesta época do ano, fornece uma clientela farta, um atrativo para que comerciantes ilegais ofereçam aos viajantes espécimes da fauna silvestre.

A dificuldade em fiscalizar as estradas e a rota fácil de fuga potencializam a atividade dos traficantes de aves, répteis e mamíferos nas rodovias.”
– texto da matéria “Com falhas na fiscalização, tráfico de animais avança nas BRs em Minas”, publicada em 2 de janeiro de 2014 pelo site do jornal mineiro Hoje em Dia

- Leia a matéria completa do Hoje em Dia

Extinção por atropelamento

“Pelo menos 14 linces ibéricos morreram em Espanha por atropelamento em 2013, duplicando os óbitos em relação a 2012, informou a agência espanhola Efe, referindo que se trata do número mais alto desde que há registros oficiais.

 Lince-ibérico atropelado na Espanha em novembro de 2013
Foto: Projecto Lynx

Segundo dados reunidos pela Efe, morreram mais de 20 linces ibéricos em 2013 e “pelo menos 14 morreram por atropelamento”, o que se transforma num "duro golpe" para a recuperação de uma espécie em perigo de extinção e que registou uma baixa natalidade no mesmo ano.

Oito dos linces ibéricos que morreram atropelados eram machos e as outras seis eram fêmeas. Pelo menos metade dos 14 animais mortos eram exemplares em fase adulta.”
– texto da matéria “Morte de linces ibéricos em Espanha por atropelamento duplica em 2013”, publicada em 1º de janeiro de 2014 pelo sito do jornal português Açoriano Oriental

Sinalização alertando motoristas para presença do lince-ibérico
Foto: Projecto Lynx

O problema dos atropelamentos de animais silvestres ocorre em todo o mundo. O caso do lince-ibérico ganha ares de tragédia quando essas mortes são apontadas como uma das principais causas da redução populacional desse felino “criticamente ameaçado” de extinção (classificação IUCN).

“Os atropelamentos foram, mais uma vez, a principal causa conhecida da morte do lince ibérico.

A duplicação do número de linces atropelados em 2013, coincidiu com uma diminuição na taxa de natalidade destes animais, e com a diminuição da população de coelhos bravos, o seu alimento básico.”
– texto do Açoriano Oriental

O caso do lince-ibérico é um bom exemplo do quanto impactante uma rodovia pode ser para uma espécie. A medida que se ultrapassa um determinado nível populacional, qualquer perda de animal passa a ser extremamente significativa.

No Brasil, micos-leões-dourados ameaçados morrem atropelados no trecho fluminense da BR-101, lobos-guarás têm morrido em grandes quantidades nas estradas e rodovias que cortam o Cerrado e onças-pintadas padecem atingidas por veículos. Apenas para citar alguns exemplos que chamam atenção.

- Leia a matéria completa do Açoriano Oriental

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Trocando entorpecente por animais, mas ainda assim traficantes

“O tráfico ilegal de espécies ameaçadas passou a utilizar as mesmas rotas do tráfico de drogas para sair da América Latina rumo à Espanha, de acordo com autoridades do país europeu.

Segundo o capitão do Serviço de Proteção da Natureza da Guarda Civil da Espanha, Salvador Ortega, alguns narcotraficantes já alteraram seus negócios pelo mercado de animais exóticos, considerado muito mais lucrativo e menos arriscado.”
– texto da matéria “Tráfico de animais usa rota da droga na América Latina, dizem autoridades”, publicada em 1º de janeiro de 2014 pelo portal G1 com informações da agência EFE

Se a moda pegar e os traficantes de drogas migrarem em peso para o mercado negro de fauna, não vai sobrar bicho no planeta.

“Ainda de acordo com Ortega, a Espanha é um ponto importante para a entrada de espécies protegidas vindas da América Latina rumo a países da Europa. O tráfico ilegal de animais é "muito lucrativo" e a tendência é que não diminua, já que a infração é considerada leve (se comparada a do tráfico de drogas) e é mais lucrativo.

Transportar um pequeno ovo, por exemplo, não levanta suspeita. Mas dentro dele se esconde uma determinada espécie de papagaio que pode custar mais de 15 mil euros (cerca de R$ 48.700). Répteis e anfíbios, além de papagaios, são os animais mais traficados.”
– texto do portal G1

Traficante de ovos preso desembarcando em Portugal: 
um mercado crescente na Europa
Foto: Divulgação Ibama

Essa tendência de troca de “mercadorias” pelos traficantes, apesar de conhecida por muitas autoridades responsáveis pela fiscalização, ainda não tem a devida atenção do poder público. Seja no país que for, a legislação punitiva em geral é fraca, não há investimentos em ações perenes de educação ambiental para redução da compra dos animais pela população e a repressão permanece com um caráter incipiente.

Estima-se que o tráfico de animais movimente entre 10 bilhões e 20 bilhões por ano no mundo (dependendo da fonte consultada). A atividade criminosa é apontada como a 3ª mais lucrativa, atrás do tráfico de drogas e do comércio ilegal de armas.

O Brasil é responsável entre 5% e 15% de todo o tráfico de animais do mundo. Estimativa de 2001 da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) indica que cerca de 38 milhões de animais são retirados da natureza todos os anos no Brasil para abastecer esse mercado negro.

- Leia a matéria completa do portal G1

Lobo-guará atropelado: outro caso em MG. Infelizmente com morte

“Uma cena que se torna comum nas rodovias da região do Alto Paranaíba tem chamado a atenção das pessoas que se preocupam com a preservação dos animais da fauna silvestre brasileira. É comum ao trafegar pelas BR´s 354 e 365 os motoristas encontrarem animais como Tamanduás, Tatus, porcos-espinhos e até mesmo lobos guarás mortos por atropelamentos. No último Sábado (27/12) a reportagem do Portal de Notícias Patos 1, flagrou um lobo guará que havia sido atropelado e morto provavelmente quando atravessava a pista da BR 354, próximo à ponte do córrego mata-burros.” – texto da matéria “Lobo Guará morre atropelado na BR 354 entre Patos de Minas e Lagoa Formosa”, publicada em 30 de dezembro de 2013 pelo portal Patos 1

Lobo-guará morto em rodovia de Minas Gerais
Foto: portal Patos 1

Em 31 de dezembro de 2013, o Fauna News publicou “Lobo-guará atropelado sobrevive em Minas Gerais”, comentando o acidente envolvendo um animal na BR-460, no trecho entre São Lourenço e Carmo de Minas, próximo ao trevo de acesso à cidade de Dom Viçoso. Felizmente, o animais sobreviveu, apesar das várias fraturas.

Animal sobreviveu com várias fraturas
Foto: Divulgação PM Ambiental MG

O lobo-guará atingido na BR-354 não teve a mesma sorte e passou para a trágica estimativa do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas: 375 milhões de animais silvestres morrem, todos os anos, atropelados nas estradas e rodovias brasileiras.

“A perda e fragmentação de hábitat praticamente forçam os animais a procurarem novas áreas para se alimentar, reproduzir, enfim, viver de acordo com sua natureza. Os deslocamentos expõem os lobos-guarás a novas influências que, em áreas de ocupação humana, podem ser visíveis (estradas, ataques de cães e caça promovida por fazendeiros, por exemplo) e invisíveis, como a exposição a doenças de animais domésticos com os quais nunca tiveram contato ou quando se alimentam de frutos contaminados por agrotóxicos em áreas agrícolas. “Já temos registros de casos de lobos-guará com parvovirose e raiva na Serra da Canastra, em Minas Gerais, que são doenças transmitidas por cães domésticos”, explica Paula. (biólogo e pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio), Rogério Cunha de Paula) – texto do post “Lobo-guará atropelado sobrevive em Minas Gerais”

Se o desmatamento e alterações do Cerrado continuarem a extinção da espécie pode ocorrer entre 60 e 70 anos, segundo  Rogério Cunha de Paula.

- Leia a matéria do Patos 1
- Releia o posto do Fauna News “Lobo-guará atropelado sobrevive em Minas Gerais”