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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Feira do Cordeiro, em Recife (PE): tráfico de animais sem fim

As fiscalizações são rotineiras, com muitas apreensões e traficantes de fauna detidos. Mesmo assim, o comércio ilegal de animais silvestres na feira do Cordeiro, em Recife (PE), não para.

“A Polícia Militar apreendeu 112 aves silvestres que estavam sendo comercializadas em um mercado público do bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. Quatro pessoas pessoas foram detidas realizando o comércio ilegal dos animais. A operação foi realizada pela Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma) na manhã deste domingo (27).

Aves apreendidas na feira do Cordeiro
Foto: Edmar Melo/JC Imagem

A apreensão aconteceu em mais uma fiscalização de rotina no bairro. Quatro homens foram flagrados pela equipe do Cipoma realizando o comércio ilegal das aves. Claudio Silva do Nascimento, 28 anos, Severino de Souza,57, Gilvanir Barbosa de Oliveira e Ednaldo Marques da Silva, de idades não divulgadas, foram detidos e encaminhados para a Central de Flagrantes da Capital, em Campo Grande, Zona Norte do Recife. Eles assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e devem responder ao inquérito de comércio ilegal de aves e maus tratos em liberdade.”
– texto da matéria “Cipoma apreende 112 aves silvestres em mercado na Zona Oeste do Recife”, publicada em 27 de abril de 2014 pelo site do Jornal do Commercio (PE)

Em 2 de abril de 2014, o Fauna News publicou “Feira do Cordeiro, Recife (PE): uma face do tráfico de animais no Brasil”, em que comentou a apreensão de outras 32 aves. Vale repetir o que publicado nesse post:

“A feira do Cordeiro é considerada como um dos principais pontos de venda ilegal de animais silvestres da Região Metropolitana do Recife.

Entre agosto de 2010 e abril de 2011, o biólogo Rodrigo Regueira frequentou 10 feiras da Região Metropolitana da capital pernambucana conhecidas pelo tráfico de fauna. Com uma pequena caneta que escondia uma diminuta câmera de vídeo, ele fingiu ser comprador e realizou 28 visitas a esses centros de comércio popular fazendo registros para seu trabalho de conclusão do curso de Ciências Biológicas, da Universidade Federal de Pernambuco.

Dentre as 10 feiras visitadas (Peixinhos, em Olinda; Madalena, Cordeiro, Casa Amarela, e Linha do Tiro, no Recife; Cavaleiro e Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes; Paratibe, em Paulista; Abreu e Lima; e Cabo de Santo Agostinho), a do Cordeiro se destacou. Ela herdou boa parte dos traficantes da feira do Madalena, situada no bairro vizinho e que sofreu intensa ação de fiscalização, perdendo força. Situada ao lado do Mercado Público do Cordeiro, no bairro de mesmo nome, ela é uma feira voltada para o comércio de animais e de apetrechos para criação dos bichos (gaiolas, bebedouros, comedouros, rações, sementes), funcionando aos domingos a partir das 5h.

“É a feira com maior número de vendedores de silvestres. Eram mais de 30 em cada visita que fiz. Também tem o maior número total de espécies à venda, 42, e de indivíduos comercializados”, afirma Regueira, que esteve no local três vezes e contabilizou 553 animais sendo traficados.”


O poder público pode colocar todo o contingente policial para fiscalizar as feiras que o tráfico de animais não vai acabar. Enquanto não houver investimento em educação, conscientizando a população dos problemas de saúde pública e ambientais envolvidos, e a legislação permitir que os infratores respondam por seus crimes em liberdade com a certeza da não condenação, o problema vai persistir.

Infelizmente, se não houver uma ação enérgica dos governantes em se estruturar para iniciar uma mudança no hábito de criar animais silvestres como bichos de estimação, o mercado negro de fauna vai continuar a existir. ONGs e ambientalistas, sozinhos, não vão conseguir alterar essa cultura, por isso têm de pressionar o poder público a se envolver com seriedade.

Governo só trabalha pressionado por demandas.

- Leia a matéria completa do Jornal do Commercio
- Releia o post do Fauna News “Feira do Cordeiro, Recife (PE): uma face do tráfico de animais no Brasil”

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