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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Gato-maracajá resgatado no Paraná: a intenção era salvá-lo, mas depois veio o cativeiro

“A Polícia Militar Ambiental resgatou na manhã desta terça-feira (15) um filhote de gato-do-mato, da espécie Maracajá, que era criado como animal de estimação por um morador de Flórida (a 50 quilômetros de Maringá).

Filhote de gato-maracajá apreendido em Flórida
Foto: João Cláudio Fragoso
Segundo a polícia, que chegou até endereço após uma denúncia anônima, o homem de 45 anos - que não teve o nome divulgado - não tinha autorização do órgão ambiental para manter o animal silvestre em sua residência.

O morador, de acordo com o sargento Ivo Ferreira Barros, disse que encontrou o felino há cerca de um ano na rua e com a pata ferida. Penalizado, ele levou o animal para casa e passou a alimentá-lo com carne, mas negou que o mantivesse em cativeiro.”
– texto da matéria “Polícia resgata gato-do-mato de cativeiro em Flórida”, publicada em 15 de abril de 2014 pelo site do jornal O Diário (Maringá – PR)

A atitude de ajudar o gato-maracajá, encontrado ferido, é louvável, mas bastante perigosa da forma como foi feita. Ao encontrar qualquer silvestre ferido ou acuado em ambiente urbano, o correto é acionar a Polícia Militar Ambiental ou o Corpo de Bombeiros para que o resgate seja feito adequadamente. Dessa forma, evitam-se maiores danos ao animal, riscos de ferimentos às pessoas e se reduz a possibilidade de ocorrer a transmissão de qualquer zoonose (doença transmitida de animal para humano).

Para piorar o que começou com boa intenção, o morador de Flórida manteve o animal em cativeiro, criando o gato-maracajá como um bicho de estimação. Manter esse felino ou qualquer outro silvestre longe de seu hábitat impede que ele cumpra suas funções ecológicas (como controlar a população de outras espécies pela predação), essenciais para manter o ecossistema equilibrado.

O costume de criar silvestres como bichos de estimação é o grande motor do tráfico de animais. O mercado negro de fauna é responsável, segundo levantamento de 2001 da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), pela retirada de cerca de 38 milhões de animais da natureza do Brasil todos os anos (sem contar peixes e invertebrados).

- Leia a matéria completa de O Diário

Um comentário:

Dado disse...

É uma pena que não se avança no sentido de discutir a regulamentação jurídica de resgatadores de fauna, tanto de físicas quanto jurídicas. O Brasil é dispar na distribuição de recursos, de acesso aos serviços dos órgãos ambientais e de governaça. Muitos poderiam estar auxiliando na recepção destes animais de forma segura, recebendo treinamento enquanto os funcionários de órgãos ambientais se escabelam tentando achar alguma instituição mantenedora que os acolha. No caso de um gato maracajá é fácil, o mesmo ocorre quando araras, salvo as canindés...agora pensa nos papagaios, macacos-prego e quatis.